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O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que Angola deve prosseguir uma política de consolidação orçamental, manter uma política monetária prudente e preservar a flexibilidade da taxa de câmbio para garantir a estabilidade macroeconómica, avançou a agência Reuters.
O organismo alertou ainda que as condições externas favoráveis dos últimos tempos contribuíram para abrandar o ritmo das reformas necessárias para reduzir a dependência da economia angolana em relação ao petróleo.
A posição foi transmitida no final de uma missão do FMI a Angola, realizada entre 24 de Agosto e 9 de Setembro, no âmbito da Avaliação Pós-Financiamento (Post-Financing Assessment). A missão foi liderada por Mika Saito e incluiu reuniões presenciais em Luanda e contactos realizados por via virtual.
De acordo com o FMI, a manutenção da estabilidade económica exige que as autoridades angolanas continuem a adoptar políticas que reforcem a sustentabilidade das contas públicas, controlem as pressões inflacionistas e permitam que a taxa de câmbio desempenhe o seu papel no ajustamento da economia.
A recomendação surge num contexto em que Angola tem procurado reduzir a vulnerabilidade resultante da forte dependência das receitas petrolíferas. Apesar dos progressos registados na estabilização macroeconómica e na implementação de reformas, o FMI entende que é necessário manter o esforço de diversificação económica e de redução da exposição às oscilações dos preços internacionais do crude.
A instituição considera que períodos de condições externas favoráveis não devem conduzir a um abrandamento das reformas estruturais. Para o FMI, a melhoria das condições financeiras ou das receitas externas deve ser aproveitada para reforçar a resiliência da economia e criar condições para um crescimento mais sustentável.
A consolidação orçamental constitui uma das principais recomendações do Fundo. A medida implica uma gestão prudente da despesa pública e das receitas, com o objectivo de assegurar a sustentabilidade das finanças do Estado e reduzir os riscos associados a eventuais choques externos.
Angola continua particularmente exposta à evolução do mercado petrolífero, uma vez que o petróleo permanece determinante para as receitas de exportação e para a entrada de divisas no país. Uma eventual deterioração das condições internacionais poderá, por isso, exercer pressão sobre as contas públicas, a balança externa e a moeda nacional.
O FMI defende igualmente a manutenção de uma política monetária prudente, de forma a contribuir para a estabilidade dos preços e para a preservação dos ganhos alcançados no processo de estabilização macroeconómica.
A missão realizada em Luanda integra o processo de acompanhamento do país após o apoio financeiro concedido pelo FMI. A Avaliação Pós-Financiamento de Angola referente a 2026 deverá ser apreciada pelo Conselho de Administração do Fundo em Novembro, segundo a instituição.
A avaliação permitirá aos directores executivos do FMI analisar a evolução da economia angolana, a execução das políticas económicas e o progresso das reformas, bem como os principais riscos que poderão afectar a estabilidade financeira e macroeconómica do país.
A recomendação do Fundo surge, assim, num momento em que Angola procura consolidar os resultados da estabilização económica e, simultaneamente, acelerar a transformação estrutural da economia, reduzindo gradualmente a dependência do sector petrolífero.
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