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A recente visita de Estado do Presidente da República do Botsuana, Duma Boko, às infraestruturas da Refinaria de Benguela, no município do Lobito, reforça a intenção do país vizinho em integrar o capital accionista do empreendimento energético. A presença do chefe de Estado em solo angolano foi antecedida pela visita da ministra do sector petrolífero do Botsuana, confirmando o elevado interesse estratégico do país em fechar parceria com Angola no âmbito da integração da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
“O Governo de Angola ofereceu 30%. Depende do Botsuana agora decidir quanto vai tomar. As discussões estão em curso”, garantiu o Presidente Duma Boko, explicando que os detalhes técnicos e financeiros estão a ser geridos por equipas de peritos de ambos os países: “Vou permitir que os peritos e tecnocratas lidem com essas questões de forma bastante cuidada. Quando tudo estiver assinado, é que eu e o meu homólogo viremos para testemunhar e aplaudir.”
Por sua vez, o Presidente João Lourenço reafirmou que a porta permanece aberta para a concretização da entrada do Botsuana a qualquer momento, sublinhando que o Estado angolano manterá uma posição acionista sem pretender a totalidade do capital: “Não queremos ficar com 100%, mas, se tivermos outros accionistas, melhor.”
Para além do interesse demonstrado pelo governo do Botsuana, o projeto da refinaria tem vindo a atrair propostas de diversas entidades financeiras e empresariais. Entre as instituições que manifestaram interesse em participar no financiamento e na estrutura do empreendimento figuram o Fundo Soberano de Angola, um sindicato de bancos chineses e a banca comercial angolana, liderada pelas principais instituições bancárias locais.
Contudo, como revela o PCA da petrolífera nacional, Sebastião Martins, a Sonangol e o Executivo angolano não vão agir precipitadamente na escolha dos parceiros finais. Uma vez que as etapas mais complexas da obra foram já financiadas e assumidas integralmente pela Sonangol, o processo de decisão está a ser conduzido com a devida cautela e rigor, mantendo o foco no cumprimento do cronograma estabelecido.
Importância geoestratégica e produtos para o mercado regional
A Refinaria de Benguela afirma-se como um pilar central para a segurança energética de Angola e de toda a região da SADC. Sebastião Martins assegura que com o encerramento da fase de construção previsto para 2029, a unidade fabril colocará no mercado derivados essenciais, nomeadamente gasolina, gasóleo, gás de petróleo liquefeito (LPG), combustível de aviação (GTA1), betumes e enxofre.
A longo prazo, o plano contempla ainda a instalação de um complexo petroquímico para transformar a matéria-prima em produtos de elevado valor acrescentado. O ecossistema energético da região fica também reforçado pela confirmação da existência de reservas de gás puro na Bacia de Benguela, testadas com sucesso para satisfazer o consumo interno e assegurar potenciais exportações.
Em declarações sobre o andamento dos trabalhos, o Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, sublinhou a evolução positiva da empreitada, que regista um progresso físico na ordem dos 26% e um investimento acumulado de cerca de 1,6 mil milhões de dólares americanos. O governante referiu que a visita permitiu à delegação do Botsuana constatar em loco o avanço das obras e da tancagem, salientando que cabe agora ao governo botsuano tomar a sua decisão soberana quanto à percentagem de participação que pretenderá assumir no consórcio.
Um investimento âncora e uma transformação estrutural profunda para a região
A importância do empreendimento para o desenvolvimento local foi destacada pelo Governador da Província de Benguela, Manuel Nunes Júnior, que classificou a refinaria como um investimento âncora e uma transformação estrutural profunda para a região.
O Governador realçou que a articulação entre a refinaria, o Porto do Lobito e o Caminho de Ferro de Benguela consolida a província como uma das plataformas logísticas mais importantes do continente africano, elevando o Corredor do Lobito a instrumento geoestratégico de integração e atração de investimento. Manuel Nunes Júnior salientou ainda o impacto social direto na vida dos cidadãos, prevendo que o projeto sirva como catalisador para impulsionar a agroindústria, o setor das pescas, a prestação de serviços, a formação técnica dos jovens e a criação de emprego e rendimento para as famílias de Benguela. E&M
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