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Em Angola, a governadora da província do Cunene, na região sul, denuncia a existência de uma rede composta por angolanos e namibianos que recruta clandestinamente crianças e adultos no sul do país para serem explorados em fazendas na Namíbia.
A governante Gerdina Didalelwa contraria as informações que apontam a seca como a causa de estes cidadãos se refugiarem nas ruas da capital namibiana, alegando que as vítimas são supostamente aliciadas e levadas para Windhoek sem documentos, com promessas de trabalharem em campos de cultivo.
As autoridades do Cunene dizem estar preocupadas com o fenómeno de jovens e crianças retirados do sul de Angola para viverem e pernoitarem nas ruas namibianas, por ele estar a ganhar proporções alarmantes.
Gerdina Didalelwa, a governadora da província, revela que grande parte dos cidadãos é, alegadamente, aliciada por comerciantes angolanos e namibianos, com propostas de trabalho em fazendas na Namíbia.
Há um fenómeno novo de crianças que deambulam pelas ruas das grandes cidades da Namíbia.
Normalmente, as crianças ou jovens, adolescentes aliciados por fazendeiros namibianos, que são naturais do Cunene, trabalham aqui próximo, nas fazendas do norte da Namíbia, em Ongwediva, enfim.
Agora, este novo fenómeno de crianças em Windhoek, Keetmanshoop, grandes cidades da Namíbia, são crianças provenientes de outras províncias, principalmente da província da Huila.
Estas crianças e adultos estão a ser aliciados por Kinguilas (cidadãos que trocam e vendem moedas estrangeiras nas ruas de Angola) que trabalham aqui na fronteira da Santa Clara.
A governante questiona-se sobre os métodos de entrada de jovens e crianças na Namíbia, visto que os supostos recrutadores os levam sem documentos. O que nós não percebemos é como é que chegam a Whindhoek, porque a Namíbia ainda usa o sistema de controlos, controlos rígidos e para os angolanos nessa situação passarem e chegarem até a Whindhoek, deve haver também uma mão por trás a fazer esse negócio.
Neste momento temos alguns detidos a aguardarem o julgamento e a Polícia Nacional continua a trabalhar para encontrar mais Kinguilas que estejam a praticar este tipo de negócio.
Pensamos nós que é uma rede que deve estar a ser alimentada por alguém que esteja também dentro do negócio e que seja namibiano, porque não é possível uma criança chegar a vender, seja quem for, seja adulto, sem documentos.
A província do Cunene enfrenta desafios críticos relacionados com a segurança e a protecção de menores, devido à larga fronteira de 460 kilometrros que tem com a Namíbia.
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