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Iniciativa pretende chamar a atenção para o prazer feminino e combater mitos sobre o orgasmo. Em Angola, as dificuldades em atingir o clímax são também apontadas como uma queixa recorrente.
Uma pesquisa realizada por uma rede inglesa de sex shops indica que 80% das mulheres têm dificuldades em atingir o orgasmo durante as relações sexuais. O dado serve de ponto de partida para uma campanha que pretende colocar o prazer feminino no centro do debate, chamando a atenção da população para a importância de conhecer o próprio corpo e compreender melhor a sexualidade.
Em Angola, as dificuldades em alcançar o clímax também são apontadas como uma queixa frequente entre mulheres. É neste contexto que surge a campanha “Atinja, não finja”, que procura incentivar uma abordagem mais aberta sobre o orgasmo, o prazer e a comunicação entre parceiros.
Orgasmo: uma experiência breve, mas complexa
O orgasmo é uma experiência psicofísica de curta duração, que ocorre durante alguns segundos e envolve diferentes respostas do organismo. Apesar de ser uma componente importante da vida sexual, a preocupação com o orgasmo feminino e com o prazer das mulheres durante as relações sexuais ganhou maior atenção apenas recentemente.
Durante muito tempo, persistiram ideias segundo as quais seria responsabilidade do homem proporcionar o orgasmo à mulher ou de que o chamado orgasmo “correcto” seria necessariamente aquele alcançado através da penetração.
Especialistas, no entanto, destacam a importância da estimulação do clitóris. Trata-se do único órgão do corpo humano cuja função conhecida está exclusivamente relacionada com o prazer sexual e possui uma elevada concentração de terminações nervosas.
Cada mulher experiencia o prazer de forma diferente
Para Paola Giacomoni, consultora em bem-estar íntimo e sexual, não existe uma única forma de atingir o orgasmo.
“Não existe somente uma região apta ao orgasmo, pois diversas são as zonas erógenas do corpo, sendo todo ele sensível aos estímulos. Basta descobrir-se e experimentar novas sensações”, explica.
A especialista sublinha, assim, a importância de conhecer o próprio corpo e explorar diferentes formas de estímulo, sem transformar o orgasmo numa experiência padronizada.
Além da sensação de prazer, o orgasmo está associado à libertação de substâncias como a oxitocina, a dopamina e as endorfinas, que participam em mecanismos relacionados com o bem-estar e a satisfação.
Respostas diferentes no homem e na mulher
Embora o orgasmo seja uma experiência individual, existem respostas fisiológicas que podem ocorrer durante o clímax.
Segundo a sexóloga Sónia Eustáquia, nas mulheres o orgasmo pode envolver contracções rítmicas dos músculos e órgãos da região pélvica, incluindo a vagina e o útero, acompanhadas por alterações na circulação sanguínea e na resposta do clitóris.
Nos homens, por outro lado, o orgasmo ocorre geralmente em simultâneo com a ejaculação, embora os dois fenómenos sejam fisiologicamente distintos e não tenham necessariamente de acontecer ao mesmo tempo.
A especialista salienta ainda que a duração e a intensidade do orgasmo podem variar significativamente de pessoa para pessoa.
As preliminares têm um papel importante
A preparação para a relação sexual também pode influenciar a experiência de prazer. Beijos, carícias, contacto físico e a estimulação de diferentes zonas do corpo podem contribuir para aumentar a excitação e favorecer o orgasmo.
“A estimulação visual e táctil, os carinhos nas zonas erógenas ricas em terminações nervosas que proporcionam esse nível de experiência, são estímulos percebidos pelo sistema límbico, área do cérebro relacionada com a satisfação e o prazer”, explica Sónia Eustáquia.
Para a especialista, não se deve reduzir a experiência sexual ao momento da penetração. A comunicação, a intimidade e a exploração gradual do prazer podem desempenhar um papel importante.
Conhecer o próprio corpo e comunicar
Um dos caminhos apontados pelos especialistas para melhorar a experiência sexual passa pelo autoconhecimento. Identificar aquilo que provoca prazer e comunicar essas preferências ao parceiro ou à parceira pode ajudar a tornar a relação mais satisfatória.
“O sexo é um momento de entrega. É ideal uma mente receptiva e relaxada para a vivência do prazer. Além disso, é importante revelar ao seu parceiro ou parceira os seus pontos de prazer e caprichar nas preliminares”, aconselha a sexóloga.
A comunicação assume, desta forma, um papel central. Falar sobre preferências, limites e sensações pode contribuir para reduzir a pressão em torno do desempenho e permitir que os parceiros compreendam melhor as necessidades de cada um.
Produtos sexuais também podem fazer parte da experiência
A campanha chama igualmente a atenção para a existência de produtos destinados às práticas sexuais, que podem ser utilizados tanto entre parceiros como individualmente, como ferramentas de exploração do prazer e do autoconhecimento.
Mais do que estabelecer uma fórmula para atingir o orgasmo, a proposta passa por incentivar uma relação mais consciente com o próprio corpo e pela quebra de alguns mitos que ainda condicionam a sexualidade feminina.
Com o slogan “Atinja, não finja”, a campanha procura colocar uma questão simples no centro da discussão: numa sociedade onde ainda existe pressão para aparentar satisfação sexual, será que as mulheres estão realmente a viver o prazer de forma livre e consciente?
A resposta, segundo os especialistas, começa pelo conhecimento do próprio corpo, pela comunicação e pela possibilidade de experimentar a sexualidade sem a obrigação de corresponder a um modelo único de prazer.
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