This post has already been read 7 times!
Quatro em cada dez crianças angolanas menores de cinco anos sofrem de desnutrição crónica, enquanto seis em cada dez não possuem qualquer registo de nascimento. Os dados constam do Perfil da Criança em Angola, elaborado com base no Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde 2023-2024 (IIMS 2023-2024).
O documento divulgado nesta terça-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), traça um retrato das condições de vida das crianças no país e mostra que apesar dos progressos registados em vários indicadores de bem-estar infantil em Angola, ainda persistem desafios nos domínios da saúde, educação e protecção infantil.
Segundo o relatório, a prevalência da desnutrição crónica atinge 41,2% das crianças menores de cinco anos, enquanto a desnutrição aguda afecta 8,3% e o sobrepeso 2,5% das crianças da mesma faixa etária.
Os dados revelam ainda fragilidades no acesso aos serviços básicos de saúde. Apenas 29,4% das crianças entre os 12 e os 23 meses estão totalmente vacinadas, enquanto somente 22% das crianças dos zero aos quatro anos dormiram sob uma rede mosquiteira tratada na noite anterior ao inquérito, uma das principais medidas de prevenção da malária.
No domínio da protecção social, o relatório mostra que no país, apenas 37,8% das crianças menores de cinco anos possuem registo de nascimento. Além disso, 67,3% das crianças até aos 14 anos foram submetidas a algum método de disciplina violenta, incluindo agressão psicológica e/ou castigo físico.
Na educação, a taxa líquida de frequência no ensino primário situa-se em 66% a nível nacional. Já no domínio do desenvolvimento infantil, apenas 45,2% das crianças entre os 24 e os 59 meses apresentam um desenvolvimento considerado adequado para a idade.
Apesar dos desafios, o estudo regista progressos em vários indicadores como a redução da mortalidade infantil de 44 para 32 óbitos por mil nascidos vivos, enquanto a mortalidade infanto-juvenil diminuiu de 68 para 52 por mil. Por sua vez, o trabalho infantil recuou de 23,4% para 13%.
“A mortalidade apresenta uma clara relação com o nível de riqueza, os dados mostram que as crianças pertencentes aos agregados familiares mais pobres enfrentam um risco de morte significativamente superior ao das crianças dos agregados mais ricos”, destaca o documento.
De acordo com os dados mais recentes do Censo, Angola tem 36,6 milhões de habitantes, dos quais cerca de 17,5 milhões são crianças e adolescentes dos zero aos 17 anos, o equivalente a quase metade da população. As maiores proporções desta faixa etária observam-se nas províncias do Bié, Uíge e Moxico, onde representam entre 57% e 58% da população total. Em contraste, Luanda apresenta uma proporção relativamente menor, embora concentre o maior número absoluto de crianças e adolescentes devido à sua elevada densidade populacional.
This post has already been read 7 times!