Angola não funciona sem a Sonangol

This post has already been read 2 times!

A trajectória financeira da Sonangol entre 2019 e 2025 é uma história de colapso, recuperação e novos desafios. Os dados mostram uma empresa que sobreviveu ao pior momento da sua história recente, mas que enfrenta hoje uma pressão crescente sobre os seus resultados — numa altura em que o Estado angolano continua a depender dela como principal motor da economia nacional.

O ponto de ruptura foi 2020.

Advertisement

A conjugação da pandemia com o desabamento dos preços do petróleo conduziu a Sonangol a um prejuízo histórico de 4.128,8 milhões de dólares — o pior resultado da empresa em décadas. Em kwanzas, a perda ultrapassou os 2.384 mil milhões. Foi o fundo do poço.

A recuperação veio em 2021, com um resultado líquido de 2.141,8 milhões de dólares, impulsionado pela subida do preço do crude e por um programa interno de reestruturação. Os proveitos operacionais atingiram nesse ano 12.376 milhões de dólares — o valor mais elevado de todo o período em análise. O EBITDA chegou aos 5.332 milhões de dólares, o pico dos seis anos.

Mas a partir de 2022, a trajectória inverteu-se novamente. Os proveitos operacionais recuaram de forma consistente, os custos mantiveram-se elevados e o EBITDA caiu para 2.625 milhões de dólares em 2025 — menos de metade do registado em 2021. O resultado líquido em dólares fixou-se nos 945,6 milhões em 2025, uma recuperação face aos 640,3 milhões de 2024, mas ainda muito aquém dos picos anteriores.

Em kwanzas, o cenário parece mais favorável — o resultado líquido de 862,4 mil milhões em 2025 representa uma melhoria face a 2024 — mas esta leitura é distorcida pela desvalorização da moeda nacional, que infla os valores nominais sem reflectir ganhos reais de desempenho.

A pressão sobre a Sonangol não vem apenas do mercado. A dívida do Estado angolano à petrolífera atingiu 7.179 milhões de dólares em 2025, num valor que, apesar de ligeiramente inferior aos 7.467 milhões de 2024, permanece muito acima dos 2.348 milhões registados em 2019. Este passivo interno condiciona a capacidade de investimento da empresa e representa um risco sistémico para a estabilidade financeira do sector.

Seis anos depois do colapso de 2020, a Sonangol recuperou — mas não regressou. Os números revelam uma empresa financeiramente mais frágil do que antes da crise, confrontada com proveitos em queda, margens operacionais sob pressão e uma dívida do Estado que continua a crescer. Num País onde a Sonangol é simultaneamente empresa, banco e pilar orçamental, os sinais de alerta não podem ser ignorados.​​​​​​​​​​​​​​​​ Expansão

This post has already been read 2 times!

Add a comment

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Advertisement