A candidatura dos silêncios: Ninguém quer ser amigo de Higino Carneiro

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Embora os estatutos do MPLA estabeleçam um enquadramento jurídico para o funcionamento do partido, é uma cultura interna — feita de dogmas profundamente enraizados — que verdadeiramente dita as regras do jogo. No seio dos “camaradas”, a lealdade ao líder não é uma escolha facultativa: é um pilar estrutural, inegociável e transversal a qualquer circunstância.

Segundo dados, Higino Carneiro não desconhece esta lógica — pelo contrário, contribuiu para a sua consolidação. O isolamento político em que hoje se encontra não resulta do acaso, mas é a consequência directa de ter desafiado a cultura que ele próprio ajudou a edificar.

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Os sinais de fragilidade da sua candidatura são inequívocos. A ausência de figuras influentes no seu campo de apoio e a escolha do seu mandatário esvaziaram qualquer ilusão de dinamismo.

Os que eventualmente simpatizam com a sua causa optaram por um silêncio conveniente. No vocabulário político do MPLA, esse silêncio tem um significado preciso: a candidatura não reúne condições para avançar.
Historicamente, no MPLA, a transferência do poder não é espontânea. Trata-se de um processo orientado, coordenado e sancionado pelo líder em exercício. Quem tenta impor uma transição fora deste eixo comete um erro de leitura elementar sobre o funcionamento interno do partido.

Um outro sinal revelador é o entusiasmo que a candidatura de Higino desperta nas fileiras da UNITA. Tal como um quadro da UNITA que granjeasse simpatias no MPLA teria dificuldades em afirmar-se no “Galo Negro”, o inverso aplica-se com igual rigor.

O apoio entusiasta da principal força da oposição gera, de forma automática, desconfiança e resistência dentro do partido no poder.
Quando o MPLA realizou o seu congresso extraordinário para proceder a ajustamentos pontuais nos estatutos, havia quem acreditasse que os “mais velhos” do partido iriam travar essas alterações. Previa-se que os protestos não passariam de murmúrios nos bastidores e nas redes sociais — e foi exactamente isso que aconteceu.

Ao aprovarem as mudanças, os militantes enviaram uma mensagem clara: apoiam a continuidade de João Lourenço na condução da transição do poder.
O processo orgânico que conduzirá ao congresso de Dezembro já produziu o seu veredicto tácito.

O IX Congresso do MPLA não será uma arena de confronto, mas sim o palco de confirmação de uma decisão já tomada nos bastidores — consolidada pela defesa da bandeira e pela fidelidade ao líder.​​​​​​​​​​​​​​​​ Rádio CK

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