This post has already been read 7 times!
A saída da Turkish Airlines de Angola é muito mais do que a perda de uma rota. É um sintoma. Um sinal de que o novo Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto — o maior investimento em infraestrutura aeroportuária da história do país — pode estar prestes a nascer já em dificuldades.
O contador já está a correr: a Turkish Airlines opera o seu último voo para Luanda no próximo dia 03 de Maio. A partir dessa data, mais uma companhia de renome internacional fecha a porta a Angola — e a pergunta que especialistas do sector começam a fazer em voz alta é incómoda: para que serve um aeroporto de última geração se as companhias aéreas estão a fugir?
A decisão da Turkish Airlines não surge no vazio. De acordo com fonte do jornal Negócios de Angola, há muito que as companhias internacionais que operam em Angola enfrentam um problema grave: o seu dinheiro fica retido no país por dificuldades na obtenção de divisas para repatriar os lucros.
O problema foi confirmado pelo próprio presidente da comissão executiva de um dos cinco maiores bancos do país, que denunciou ao jornal Valor Económico a existência de um “índice elevado de falta de transparência” no mercado cambial — com o banco central alegadamente a contactar operadores petrolíferos para fazer vendas de divisas de forma direccionada.
Num mercado cambial com estas características, as companhias aéreas acumulam receitas que não conseguem converter nem transferir. E a resposta natural é a saída.
Com a saída da Turkish Airlines, as rotas para a Europa e Ásia perdem uma opção relevante, a concorrência diminui e, inevitavelmente, os preços tendem a subir. Quem paga a conta são os passageiros angolanos.
As companhias internacionais que ainda operam em Angola — Qatar Airways, Air France, Lufthansa, Ethiopian Airlines, Airlink, Emirates e TAP, sendo estas duas últimas as com maior número de voos — já olham para o mercado com crescente desconfiança. A saída de mais operadoras não pode ser descartada se o problema cambial persistir.
Um economista consultado neste contexto foi directo: se as companhias internacionais continuarem a abandonar Angola, o novo aeroporto internacional corre o risco de se tornar um elefante branco.
Um equipamento de excelência sem tráfego suficiente para justificar o investimento — e sem companhias para o animar. O problema é agravado pela ausência de uma estratégia clara para o turismo.
Actualmente, as viagens de negócios são a principal razão de entrada de estrangeiros em Angola. O país previa atingir cerca de um milhão de turistas por ano — uma meta que exige conectividade aérea robusta, diversificada e competitiva. Exactamente o oposto do que está a acontecer.
Pedro Castro, da SkyExpert, formulou a questão com precisão cirúrgica: menos companhias, menos destinos, menos frequências, menos passageiros. Quem está a falhar? A resposta exige coragem política. A retenção de divisas afasta investidores. A fuga de companhias aéreas isola o país. E um aeroporto novo, sem rotas, é apenas betão caro com pistas vazias.
Angola tem uma janela de oportunidade com a inauguração do novo aeroporto. Mas essa janela está a fechar-se — e no dia 3 de Maio, com o último voo da Turkish Airlines a deixar Luanda, mais uma página triste da aviação angolana será escrita. Líder
This post has already been read 7 times!