Papa Leão XIV reafirma que a violência e opressão contrariam os princípios do cristianismo

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O Papa Leão criticou, no decurso da sua visita a Angola, a exploração de populações por regimes autoritários e elites económicas, num discurso marcado por um tom particularmente incisivo, que tem caracterizado a sua digressão por África.

Durante uma missa celebrada em Saurimo, próximo da fronteira com a República Democrática do Congo (RDC), o pontífice afirmou que “muitas pessoas no mundo estão a ser exploradas por autoritários e defraudadas pelos ricos”, sublinhando que a violência e a opressão contrariam os princípios fundamentais do cristianismo.

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“Todas as formas de opressão, violência, exploração e desonestidade negam a ressurreição de Cristo”, declarou o líder da Igreja Católica, referindo-se a um dos pilares da fé cristã.

Angola foi a terceira etapa de uma exigente viagem de 10 dias por África, que inclui quatro países, 11 cidades e cerca de 18 mil quilómetros percorridos em 18 voos — uma das deslocações mais complexas alguma vez realizadas por um Papa.

Eleito em Maio do ano passado, o Papa Leão, de 70 anos, manteve um perfil relativamente discreto nos primeiros meses do pontificado. No entanto, durante esta visita ao continente africano, tem intensificado as críticas à guerra, às desigualdades e à exploração de recursos naturais.

Sem mencionar nomes, o pontífice tem visado repetidamente líderes mundiais. No sábado, denunciou a exploração dos recursos africanos por “déspotas e tiranos”, e, na quinta-feira, afirmou que o mundo está “a ser devastado por um punhado de tiranos”.

No domingo, esclareceu aos jornalistas que os discursos foram preparados semanas antes da viagem e não tinham como alvo direto o ex-presidente norte-americano Donald Trump, apesar de já ter criticado publicamente ações militares dos Estados Unidos e de Israel no Irão.

A recepção em Angola tem sido entusiástica. Num país onde cerca de 80% da população se identifica como cristã — metade dos quais católicos — milhares de pessoas saíram às ruas para saudar o Papa. Dois eventos realizados no domingo, incluindo uma missa campal e uma oração num antigo local ligado ao tráfico transatlântico de escravos, reuniram cerca de 130 mil fiéis.

Na segunda-feira, foi o último dia completo da visita a Angola, na manhã desta terça-feira, o Papa seguiu para a Guiné Equatorial, última etapa da sua viagem africana, onde deverá encontrar-se com o Presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo e discursar perante líderes políticos.

A Guiné Equatorial é frequentemente apontada como um dos países mais repressivos da região, acusações que o governo tem rejeitado. JM

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