Líder da UA diz que conflitos em África resultam também de debilidades na governação

This post has already been read 3 times!

Os conflitos em África não resultam apenas do recurso à violência armada, mas têm, também, as suas raízes na falta de governação, na fragilidade das instituições, na exclusão política, afirmou Évariste Ndayishimiye, presidente da República do Burundi e líder em exercício da União Africana.

Ao proferir as palavras de abertura da 21.ª Cimeira Extraordinária de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, que se realiza neste domingo, 30, em Luanda, o estadista africano associou, igualmente os conflitos no continente às desigualdades, injustiça social e ausência de perspectivas para os cidadãos, em particular os jovens africanos.

Advertisement

No evento que discutiu a prevenção, mediação e manutenção da paz no continente, o actual presidente da UA defendeu acções que previnem conflitos: “Acontece frequentemente que identificamos os primeiros sinais de uma crise, mas só intervimos quando a situação já está quase fora do controlo”.

Para o governante, a prevenção consiste em abordar mais as causas profundas do que as manifestações imediatas das crises. Quanto à pobreza, observou que esta não é uma causa em si, mas um dos factores que favorecem os conflitos, pois “quem tem fome não tem ouvidos”.

A distribuição inadequada dos recursos e a má gestão dos fundos públicos, apontou Évariste Ndayishimiye, constituem factores desencadeadores de crises, uma vez que as pessoas em situação de precariedade e de desespero são facilmente mobilizadas para a violência.

Tornar uma frente comum contra a pobreza, garantir a igualdade e a justiça social para todos e garantir a sua protecção sem discriminação previne de forma duradoura a beligerância na sociedade, disse o governante africano.

“Quando a prevenção falha e um conflito eclode, a nossa responsabilidade não deve limitar-se às negociações e à assinatura de um acordo de paz. Devemos investir na reconciliação, na reconstrução e no desenvolvimento pós-conflito, a fim de garantir que a tal situação não se repita”, declarou.

O líder da UA, segundo a E&M, insistiu no apelo para que as autoridades estatais africanas permaneçam atentas aos processos de prevenção e gestão de conflitos, para quem a experiência dos conflitos no continente tem transmitido que os Estados por si só não estão em condições de suportar este fardo.

Sugeriu, por conseguinte, mecanismos regionais e continentais e maior comprometimento na mobilização de recursos, já que, sublinhou, não haverá uma apropriação africana sustentável da agenda de paz e segurança sem um financiamento africano previsível, sustentável e flexível.

“Devemos continuar a reforçar o estudo para a paz da União Africana e acelerar a sua capitalização progressiva a fim de lhe conferir os meios necessários à altura das nossas ambições continentais. Devemos, igualmente, reforçar a cooperação entre a União Africana, as comunidades económicas regionais e os mecanismos regionais, as Nações Unidas e os parceiros estratégicos, assegurando simultaneamente que as soluções africanas para os problemas africanos continuem a estar no centro da nossa acção”, referiu.

Augurou que a cimeira que aconteceu no Palácio de Convenções de Luanda seja um “momento de decisão e não de constatação”, que trace as balizas para uma África que antecipa em vez de reagir, que dialogue e não que se divida, que promova a mediação antes que a violência se instale e que se empenhe na reconciliação e na paz restauradora.

This post has already been read 3 times!

Advertisement