Tabanka Djaz junta-se aos apelos da sociedade pela libertação de Domingos Pereira

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A banda Tabanka Djaz, um dos grupos musicais mais emblemáticos da Guiné-Bissau, divulgou um comunicado público de repúdio face à atual crise política no país, tornando-se a mais recente voz da sociedade civil e cultural guineense a exigir a libertação do líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira.

No documento, os músicos manifestam “profunda preocupação” com os acontecimentos registados desde as eleições gerais de 23 de novembro de 2025, apontando uma rutura da ordem constitucional e um clima de intimidação, detenções arbitrárias e perseguição política a dirigentes da oposição. O grupo classifica a privação de liberdade de Simões Pereira como uma prisão de motivação política “travestida” de processo judicial, e considera que a situação representa uma violação grave dos direitos humanos e do Estado de Direito.

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A banda, citada pelo Angonotícias, apela à libertação imediata do líder partidário e de todos os detidos por razões políticas, ao respeito integral pela Constituição e pelos direitos humanos, e ao restabelecimento do diálogo nacional e do caminho democrático no país.

O comunicado surge num contexto de crescente pressão nacional e internacional sobre o caso. Simões Pereira, presidente do histórico PAIGC e da Assembleia Nacional Popular, está privado de liberdade desde o golpe militar de 26 de novembro de 2025, que interrompeu o processo eleitoral. Depois de mais de 60 dias detido, foi transferido para regime de residência vigiada, mas na última semana viu ser pedida a sua prisão preventiva pelo Tribunal Militar Superior, sob suspeita de participação numa alegada tentativa de golpe de Estado em outubro de 2025 — uma acusação que o PAIGC e diversas organizações da sociedade civil consideram fabricada.

Nos últimos dias, o pedido de prisão preventiva tem gerado uma vaga de reações: o PAIGC acusou o regime, alegadamente dirigido “à distância” pelo ex-Presidente Umaro Sissoco Embaló, de querer afastar e “eventualmente eliminar fisicamente” o seu líder; organizações da sociedade civil alertaram para o risco de instabilidade agravada, incluindo cenários de guerra civil; e o Partido Comunista Português (PCP) condenou a detenção, pedindo ao Governo português que atue para salvaguardar a vida e a libertação do opositor. Plataformas cívicas guineenses têm ainda criticado o silêncio da CEDEAO perante a crise.

Como um dos grupos musicais mais conhecidos internacionalmente da Guiné-Bissau, com décadas de carreira e presença em palcos por todo o mundo, a tomada de posição da Tabanka Djaz reforça a dimensão simbólica do apelo por um regresso à normalidade democrática no país.

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