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O período de férias de Verão na Europa está a impulsionar uma subida significativa dos preços das passagens aéreas para os principais destinos do continente, numa altura em que cresce a procura de viagens por parte dos passageiros angolanos.
A rota Luanda–Lisboa é uma das mais procuradas do continente africano. Dados das principais plataformas de pesquisa de voos mostram que, neste mês de Junho de 2026, há pelo menos nove companhias aéreas a operar ligações entre os dois países, entre directas e com escala.
A TAAG — Linhas Aéreas de Angola e a TAP Air Portugal dominam o mercado dos voos directos, sendo as primeiras escolhas dos passageiros angolanos. A Air France, a Royal Air Maroc, a Brussels Airlines, a Emirates e a Lufthansa completam a oferta, ainda que com escalas que podem estender a viagem de pouco mais de oito horas para mais de 21 horas.
No que diz respeito aos preços, segundo JEF, a variação é significativa. Consultadas as plataformas das companhias aéreas, os bilhetes de ida e volta em classe económica para a época de Verão oscilam entre os 600 euros (cerca de 900 mil kwanzas, ao câmbio indicativo) nos dias com menor procura, e os 1.400 euros (mais de dois milhões de kwanzas) nas datas de pico, nomeadamente os fins-de-semana de Julho e Agosto.
As opções com escala em Casablanca ou Paris, operadas pela Royal Air Maroc e Air France, surgem como as mais baratas, mas exigem esperas nos aeroportos que tornam a viagem consideravelmente mais longa.
“Se reservar agora, ainda encontra bilhetes da TAAG por volta de um milhão e duzentos. Se esperar para Junho, pode estar a pagar quase o dobro”, explicou Djavan Palhas, agente de viagens com mais de dez anos de experiência em Luanda.
Explicou que em época normal, os clientes fazem a reserva com 30 a 60 dias de antecedência. Para o Verão europeu, aconselhou, é recomendável planear com três a seis meses de antecedência.
Eugénio Cigano, 36 anos, empresário do sector de Cosméticos, é cliente frequente da rota e não esconde a sua irritação. “Todos os anos é a mesma história: o Verão chega e o preço dispara. Mas este ano piorou ainda mais por causa da guerra no Médio Oriente. Fui ver bilhetes para ir com a família no mês de Agosto, quatro pessoas, e o custo total chegava a quase oito mil euros só em passagens”, lamentou.
No mercado angolano, a TAAG mantém-se a companhia de referência para a rota Lisboa. A transportadora de bandeira opera voos diários a partir do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, com partidas às 13h00 e às 23h30, totalizando 14 frequências semanais no sentido Luanda–Lisboa.
A companhia nacional é a primeira escolha de cerca de 38% dos passageiros que pesquisam esta rota, de acordo com dados da plataforma Momondo referentes a Maio de 2026. A TAP Air Portugal surge em segundo lugar na preferência dos viajantes.
A transportadora portuguesa opera a rota com voos directos de cerca de oito horas, e compete directamente com a TAAG nos preços e na qualidade do serviço.
Para o Verão de 2026, os bilhetes de ida e volta em classe económica nos dois operadores directos oscilam, respectivamente, entre um milhão e um milhão e quatrocentos mil kwanzas, dependendo da antecedência da reserva e do dia da semana.
A quinta-feira é, estatisticamente, o dia mais barato para voar nesta rota, a quarta-feira apresenta as tarifas mais elevadas. Para quem está disposto a aceitar uma escala, as opções mais económicas chegam pela Royal Air Maroc, com paragem em Casablanca, e pela Emirates, via Dubai, embora esta última resulte em trajectos que podem ultrapassar as 24 horas.
A Air France, com escala em Paris, e a Brussels Airlines, via Bruxelas, complementam a oferta. A Lufthansa disponibiliza igualmente ligações, com preços que se situam num patamar intermédio.
A desvalorização contínua do kwanza face ao euro amplifica o impacto do aumento das tarifas aéreas. Enquanto os preços são cotados em euros, a moeda das companhias europeias, os salários da grande maioria dos angolanos são pagos em kwanzas. Para um funcionário público com ordenado de 250 mil kwanzas mensais, um bilhete de ida e volta que custa um milhão e duzentos mil kwanzas representa quase cinco meses de salário. Uma realidade que torna a viagem de Verão um luxo cada vez mais restrito a quem tem acesso a rendimentos em moeda forte.
“O aumento dos preços é consequência directa de dois factores, a desvalorização do kwanza e a época de Verão na Europa, que por regra encarece os bilhetes todos os anos”, explicou o economista Anderson Inocêncio.
“A este cenário habitual junta-se agora o efeito da guerra no Irão, que está a pressionar os preços do petróleo e, consequentemente, o querosene. O resultado é uma tempestade perfeita para as famílias que querem viajar”, acrescentou.
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