PGR convoca Higino Carneiro em clima de crescente tensão política no MPLA

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) convocou o general Higino Carneiro para se apresentar no próximo dia 13 de Maio, às 09h00, numa notificação que está a provocar forte repercussão nos meios políticos angolanos e a alimentar acusações de instrumentalização da justiça para fins políticos.

Segundo a nota enviada ao antigo dirigente do MPLA, a sua comparência destina-se a “tratar de assuntos do seu interesse”, uma formulação considerada vaga e pouco comum por analistas e observadores da cena política nacional.

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A expressão tem sido interpretada como um possível eufemismo relacionado com investigações sobre alegadas irregularidades na distribuição de viaturas e outras regalias durante o período em que Higino Carneiro desempenhou funções como primeiro-secretário provincial do MPLA em Luanda.

O caso surge numa altura particularmente delicada da vida interna do partido no poder. Figura histórica do aparelho político e militar angolano, Higino Carneiro anunciou oficialmente, a 4 de Julho de 2025, a intenção de concorrer à liderança do MPLA, através de um manifesto dirigido aos militantes e simpatizantes da formação política.

Desde o anúncio da candidatura, refere o Ao24H, intensificaram-se os sinais de pressão em torno do general, que nos últimos anos se tornou presença frequente na PGR no âmbito de diferentes processos. Fontes próximas admitem que a instituição poderá vir a constituí-lo arguido já na próxima audição, podendo igualmente aplicar medidas restritivas, entre elas a eventual retenção do passaporte.

Nos bastidores políticos, cresce a percepção de que o processo poderá ter motivações ligadas à disputa interna no MPLA, numa fase em que decorrem movimentações para o IX Congresso do partido. Alguns sectores entendem que uma eventual constituição como arguido poderá servir de fundamento para inviabilizar a candidatura de Higino Carneiro através da Subcomissão de Candidaturas.

O episódio reacende o debate em torno da independência das instituições judiciais em Angola e da alegada interferência política em processos conduzidos pelos órgãos de justiça. Para críticos do sistema, o antigo general enfrenta agora mecanismos de poder que ajudou a consolidar ao longo de décadas de influência no aparelho do Estado.

Até ao momento, nem a PGR nem o MPLA prestaram esclarecimentos públicos adicionais sobre os contornos da convocatória ou sobre eventuais diligências em curso.

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