Líderes associativos angolanos consideraram nesta segunda-feira, 24, que a subida de 50% do preço do gasóleo foi uma “alteração expressiva” que vai afetar sobretudo o consumidor final, devido ao aumento dos custos de produção.
O preço do gasóleo em Angola subiu para 300 kwanzas (30 cêntimos) por litro, contra os 200 kwanzas anteriores, um aumento de 50%. Em declarações à Lusa, o presidente da Associação dos Transportadores Rodoviários de Mercadoria (Atroma), António Gavião Neto, manifestou-se surpreso com a notícia, apesar de ser expectável o reajustamento do preço do gasóleo.
António Neto referiu que os custos serão transferidos para o consumidor final, que será o mais afetado pela medida.
“Não há dúvidas que haverá sempre alteração no programa financeiro já planificado pelas administrações das empresas, que vai provocar uma reengenharia no setor contabilístico das empresas associadas (…), mas não vai afetar de forma muito gritante a nossa tesouraria, porque é um custo que vai ser transferido para o consumidor final”, referiu.
O responsável frisou que esta medida terá implicações no custo de vida, fazendo a cesta básica ficar mais cara. “São as implicações que vai ter no futuro, se não começou já a partir de hoje”, disse António Neto, considerando “muito negativo” o aumento de 50% do preço do gasóleo.
“Se estivéssemos a falar na ordem dos 10% ou 5% talvez não se sentiria muito, mas 50% é uma percentagem bastante alta”, acrescentou, salientando que o gasóleo é o combustível mais consumido pelas indústrias angolanas.
O presidente da Atroma admitiu que a tesouraria do Governo se tem “ressentido gritantemente” com a subvenção aos combustíveis, mas lembrou que o rendimento ‘per capita’ do cidadão não acompanha a retirada dos subsídios, em particular no caso dos funcionários públicos, que tiveram no mês passado um aumento de 25%.
Por sua vez, o presidente da Associação Agropecuária de Angola (AAPA), Wanderley Ribeiro, referiu que este aumento acontece numa altura em que há um maior controlo do Estado sobre os sistemas de abastecimento de combustíveis e algumas explorações têm de reforçar a sua capacidade de armazenamento.
Wanderley Ribeiro frisou que a estrutura de custos vai aumentar sobretudo a nível comercial, contudo, reconheceu a necessidade desta medida “porque há um défice bastante elevado, fruto daquilo que são subsídios dados aos combustíveis”.
“Nós prevemos um aumento no custo de produção a partir de agora, não temos como fugir disto. Esta fatura vai sempre ser paga pelo consumidor final, não temos como fugir desta realidade”, referiu.
O presidente da AAPA sublinhou que, do ponto de vista de quem produz, o aumento é “bastante elevado”, mas, para o Estado, que quer acabar com os subsídio aos combustíveis, esta alteração “foi a que permitiria maior folga para se disponibilizar recursos próprios”.
A nível da agricultura ou da produção nacional “é uma alteração muito expressiva”, disse o líder associativo, lamentando a implementação da medida sem se ouvirem previamente as associações.
“Era um exercício interessante ouvir medidas alternativas que possam ser utilizadas para mitigar o impacto desses 50% (…) era interessante o Governo perceber, sobretudo naqueles produtos que compõem a cesta básica e aqueles que já têm alguma oferta local, qual é o impacto que isso vai ter”, acrescentou.
Wanderley Ribeiro observou que, considerando que a inflação angolana está relacionada sobretudo com a alimentação e o elevado custo de produção dos alimentos, “era interessante” que fosse colocada em vigor a lei sobre o subsídio aos combustíveis para a agricultura.