Quase uma em cada três mulheres em Angola já sofreu violência

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Perto de um terço das mulheres em Angola já sofreram qualquer tipo de violência, com as províncias da Lunda Norte e Lunda Sul a liderarem a prevalência de múltiplas forma de abuso, divulgou, esta terça-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com o Relatório sobre Género, baseado no Inquérito de Indicadores Múltiplos e Saúde (IIMS 2023-2024), apresentado esta terça-feira pelo INE, pelo menos 31,5% das mulheres em Angola sofreram qualquer tipo de violência e 22,8% suportou violência física do parceiro.

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O inquérito avaliou a violência doméstica, particularmente aquela praticada pelo parceiro íntimo, considerando as formas física, sexual e psicológica, numa amostra de 14.717 participantes, resultando em 30,7% elegíveis para o módulo violência, segundo o INE.

A análise indica que 31%,5 das inquiridas já sofreu qualquer tipo de violência, 22,2 sofreu violência psicológica, 22,8% sofreu violência física e a violência sexual (6,3%) apresentou menor prevalência.

Mulheres mais jovens, entre os 20 e os 24 anos, apresentaram maior risco de exposição à violência doméstica, seguida pelas mulheres de 25 a 29 anos e de 30 a 34 anos. A prevalência diminuiu gradualmente nas faixas etárias entre os 45 e 49 anos.

Salienta-se na pesquisa que mulheres sem educação formal foram as principais vítimas de violência física (26,3%) e psicológica (21,4%). Mulheres rurais apresentaram maiores índices de violência física (26,3%) em comparação às urbanas (20,6%).

A presença de poligamia também se associou à violência: mulheres em uniões polígamas relataram menor violência sexual (6,1%) e psicológica (17,7%) que as monogâmicas, mas maior violência física (18,2% contra 28,2%).

O relatório, elaborado pelo INE com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e do Fundo das Nações Unidas para a População, abordou também a distribuição territorial da violência doméstica.

As províncias da Lunda Norte (49,4%), Lunda Sul (48%), Luanda e Cuanza Norte, com 38,2% cada, e Cuanza Sul, com 31,4%, lideraram as prevalências das múltiplas formas de abuso contra a mulher.

Segundo a pesquisa, os homens apontaram a negligência infantil (8,5%) e discussões com o marido (7,3%), saídas da mulher sem avisar (6,1%), recusa de sexo (3,7%) ou queimar comida (3,4%) entre as razões da violência contra a mulher.

Além do Relatório sobre Género, o INE apresentou também, na ocasião, o Relatório Temático sobre Fecundidade na Adolescência em Angola.

O secretário de Estado para o Planeamento de Angola, Luís Epalanga, no seu discurso de abertura da cerimónia de apresentação dos relatórios, considerou que estes refletem resultados que traduzem “progressos assinaláveis, desafios persistentes, mas, acima de tudo, oportunidades imensas” para estimular o desenvolvimento socioeconómico de Angola.

“A produção de estatísticas de qualidade não constitui um fim em si. Antes, constitui um instrumento essencial para assegurar que cada investimento público responda às necessidades reais da população e produza impactos concretos na melhoria das condições das nossas populações”, realçou o governante.

Saúde sexual e reprodutiva, empoderamento económico, autonomia e tomada de decisão, violência baseada no género, casamento e atividade sexual, literacia financeira, deficiência e condição socioeconómica são algumas das dimensões dos relatórios esta terça-feira apresentados em Luanda.

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