Do ataque à normalização: os sete dias que abalaram a Unitel

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Cronologia de sete dias que abalaram a maior operadora de Angola: de um ataque “deliberado e dirigido” na véspera da entrada em Bolsa à normalização declarada esta quinta-feira.

A Unitel anunciou esta quinta-feira, 6 de Agosto, a conclusão da reposição dos seus serviços móveis de voz, mensagens, dados e acesso à Internet, uma semana depois do ataque informático que afectou a maior operadora de telecomunicações do país.

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Em comunicado à imprensa, a operadora indicou ter concluído, a 5 de Agosto, o restabelecimento dos serviços — incluindo os de terceiros que assentam na sua rede — afectados pelo ataque cibernético ocorrido na madrugada de 28 de Julho.

Cronologia de uma crise de sete dias

  • 28 de Julho, madrugada (2h20): identificado o ataque cibernético que provoca a paralisação dos serviços de voz, dados móveis e acesso à Internet em todo o território nacional, afectando clientes particulares e empresariais. A Unitel activa de imediato mecanismos de resposta e contenção.
  • 28 e 29 de Julho: o apagão condiciona directamente operações bancárias, pagamentos por Multicaixa Express, terminais de pagamento automático (TPA) e o cumprimento de obrigações fiscais, obrigando a Administração Geral Tributária a prorrogar prazos de pagamento de impostos até 7 de Agosto.
  • 29 de Julho: a Unitel estreia-se, ainda assim, na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), na sequência da privatização de 15% do seu capital, disparando 24,88% na sessão de estreia — um valor que excedeu o limite regulamentar de variação de preços.
  • 29 de Julho: em comunicado, a Unitel admite que o ataque pode ter sido “um ataque deliberado e dirigido”, com o possível intuito de perturbar o processo de entrada em Bolsa, dada a coincidência temporal entre os dois acontecimentos.
  • 11h45 de 29 de Julho: arranca a recuperação gradual e localizada da rede móvel, com reposição parcial dos serviços de voz e dados nas primeiras 15 das 21 províncias do país.
  • 30 de Julho: surgem revelações, avançadas pela revista Economia & Mercado, de que os atacantes terão exigido um resgate de 300 mil milhões de kwanzas (cerca de 326,5 milhões de dólares) em criptomoedas — um valor coincidente com a receita obtida pelo Estado na venda das acções da operadora. A Unitel nega publicamente ter conhecimento desse pedido de resgate.
  • 31 de Julho, até às 23h00: a cobertura nacional das redes 2G e 3G é reposta em todo o território; ao longo do dia, recuperam-se também os serviços de SMS e as vendas de recargas electrónicas.
  • Início de Agosto: a UNITA manifesta “profunda preocupação” com a interrupção prolongada, exigindo esclarecimentos públicos e defendendo mesmo a criação de uma comissão de inquérito parlamentar para apurar as causas do apagão.
  • 5 de Agosto: a Unitel dá por concluída a reposição de todos os serviços, incluindo os de terceiros que dependem da sua rede.
  • 6 de Agosto: a operadora confirma, em comunicado ao mercado, a normalização total, uma semana depois do início da crise.

O que a Unitel diz agora

A empresa reiterou que foi alvo de “um ataque deliberado e dirigido” contra a sua infraestrutura tecnológica, que provocou a indisponibilidade parcial dos serviços em todo o país, e que activou de imediato os mecanismos de contenção e planos de continuidade de negócio, com a reposição a decorrer de forma progressiva.

A Unitel adiantou que, nos próximos dias, continuará a realizar trabalhos de optimização e monitorização da infraestrutura e de normalização de sistemas complementares, aconselhando os utilizadores que verifiquem eventuais perturbações a contactarem o apoio ao cliente.

A operadora afirmou estar a colaborar com as autoridades nacionais e com parceiros especializados em cibercriminalidade para apurar os aspectos relevantes do incidente, comprometendo-se a divulgar as conclusões que não afectem a segurança da informação nem prejudiquem a investigação em curso.

A empresa condenou “veementemente” o ataque e considerou que os investimentos realizados no reforço do seu modelo de cibersegurança permitiram o controlo do incidente e a recuperação “paulatina e estruturada” dos serviços. A Unitel agradeceu ainda a colaboração das autoridades, em especial dos órgãos do Governo, de defesa e segurança do Estado, dos reguladores e das empresas do sector, e reafirmou o compromisso com a fiabilidade, a segurança e a qualidade dos serviços.

Apesar do anúncio de normalização, permanecem por esclarecer publicamente vários aspectos centrais do episódio: a identidade e a motivação dos autores do ataque, a veracidade do alegado pedido de resgate em criptomoedas, e o impacto financeiro exacto que o incidente terá tido sobre a operadora — num momento particularmente sensível para a empresa, ainda a consolidar a sua recém-estreada presença na Bolsa angolana, e para milhares de clientes, empresas e instituições financeiras que, ao longo de uma semana, sentiram na pele quão dependente se tornou o quotidiano económico angolano de uma única infraestrutura de telecomunicações.

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