This post has already been read 14 times!
O processo de privatização de 15% do capital da Unitel entra esta semana numa nova fase com a apresentação oficial do prospecto da Oferta Pública de Venda (OPV), aprovado pela Comissão do Mercado de Capitais (CMC).
A sessão de lançamento do roadshow realiza-se esta segunda-feira, 6, numa unidade hoteleira em Luanda, marcando o arranque formal da operação que permitirá, pela primeira vez, aos cidadãos angolanos adquirir ações da maior operadora de telecomunicações do país.
A iniciativa representa um momento simbólico para a Unitel e para o mercado de capitais angolano, ao abrir o capital de uma empresa que, durante os últimos anos, esteve integralmente nas mãos do Estado. O objetivo passa por reforçar a transparência, promover o desenvolvimento do mercado financeiro nacional e alargar a participação dos cidadãos no tecido empresarial.
Durante a sessão serão apresentados os principais detalhes da operação, os mecanismos de subscrição e as condições de participação. A OPV permitirá que milhares de angolanos deixem de ser apenas clientes da operadora para passarem também a ser seus acionistas, participando diretamente no futuro da empresa.
Com mais de 21 milhões de clientes e cobertura em todo o território nacional, a Unitel é uma das empresas mais relevantes da economia angolana. Ao longo dos seus 25 anos de atividade consolidou-se como líder no setor das telecomunicações, desempenhando um papel central na transformação digital do país.
A cerimónia deverá contar com representantes do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), da Unitel, da Comissão do Mercado de Capitais (CMC), da Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) e dos intermediários financeiros responsáveis pela operação, nomeadamente o BFA Capital Markets (BFACM), a Áurea e o Banco Caixa Geral Angola (BCGA).
Uma história marcada por profundas mudanças acionistas
Fundada em 1998 como sociedade privada, a Unitel nasceu com uma estrutura acionista repartida em partes iguais entre a Sonangol, a Vidatel — empresa detida por Isabel dos Santos —, a Geni, ligada ao general Leopoldino Fragoso do Nascimento, conhecido por “Dino”, e a Africatel, veículo através do qual a operadora brasileira Oi e a Helios Investment Partners detinham a sua participação.
A configuração acionista começou a alterar-se em 2020, quando a Oi vendeu a sua posição de 25% à Sonangol por cerca de mil milhões de dólares, permitindo ao Estado angolano controlar metade do capital da empresa.
A transformação tornou-se definitiva em outubro de 2022. Depois de, em janeiro desse ano, as participações da Vidatel e da Geni terem sido apreendidas pela Procuradoria-Geral da República, o Presidente João Lourenço decretou a nacionalização dessas ações, colocando a totalidade do capital da Unitel sob controlo estatal.
Isabel dos Santos tem, contudo, contestado judicialmente as decisões das autoridades angolanas. A empresária sustenta que os seus ativos foram expropriados sem o devido processo legal e afirma que as medidas adotadas contra si têm motivações políticas, rejeitando todas as acusações que lhe são imputadas e considerando ser alvo de perseguição por parte do Governo liderado por João Lourenço.
Como será feita a venda
É precisamente este capital, atualmente detido a 100% pelo Estado através do IGAPE, que começa agora a ser parcialmente aberto ao investimento privado.
A operação contempla a alienação de 15% do capital social da Unitel e está dividida em duas tranches. Um milhão de ações, correspondente a 2% do capital, fica reservado aos trabalhadores da Unitel SPM e da Unicanda. As restantes 6,5 milhões de ações, equivalentes a 13% do capital, destinam-se ao público em geral, podendo ainda incluir as ações eventualmente não subscritas pelos trabalhadores.
O período de subscrição decorre entre 6 e 24 de julho, com um intervalo indicativo de preços entre 36.036 e 40.040 kwanzas por ação. Em função do preço final que vier a ser fixado, o Estado poderá arrecadar entre cerca de 294 mil milhões e 300,3 mil milhões de kwanzas, o equivalente a aproximadamente 280 milhões de euros.
O preço definitivo será anunciado a 27 de julho, data em que está igualmente prevista uma sessão especial de bolsa na BODIVA. A admissão da totalidade das ações à negociação encontra-se agendada para 29 de julho, momento em que a Unitel passará oficialmente a integrar o mercado bolsista angolano como sociedade de capital aberto.
A operação constitui um dos mais relevantes processos de privatização realizados em Angola nos últimos anos e representa um teste importante à capacidade de mobilização do mercado de capitais nacional, numa fase em que o Governo procura diversificar as fontes de financiamento da economia e incentivar uma maior participação dos investidores privados nas principais empresas do país.
This post has already been read 14 times!