Fundo ligado a empréstimo polémico ao Estado angolano compra clube de futebol na Inglaterra

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A Gemcorp, fundo de investimento londrino com fortes ligações a Angola, está a comprar o Northampton Town Football Club (NTFC), clube inglês que milita na League Two, o quarto escalão do futebol profissional britânico. O montante do negócio permanece por revelar, mas as contas do clube não são animadoras: vale cerca de 4 milhões de euros, tem prejuízos acumulados e uma dívida líquida de 12 milhões de euros.

O Financial Times avança que a entidade que fiscaliza o futebol profissional em Inglaterra, a Independent Football Regulator, validou já em Setembro a entrada do CEO da Gemcorp, Atanas Bostandjiev, e de dois investidores com raízes brasileiras, como os novos donos do clube. Antes de dar luz verde a este tipo de operações, o regulador britânico escrutina a robustez financeira dos compradores, a proveniência do seu património, a sua idoneidade e eventuais antecedentes criminais.

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Por trás da compra está a Sports Alpha Capital, plataforma que junta Bostandjiev — que já em Abril tinha comprado o Levski Sofia, o principal clube búlgaro — a Adam Wible, um dos fundadores do Nubank (fintech brasileira avaliada em 75 mil milhões de dólares e cotada em bolsa nos EUA), e a Hugh Strange, igualmente oriundo dessa fintech. Entre os nomes que integram a administração da empresa compradora está ainda um rosto conhecido do futebol: o brasileiro Alexandre Pato, ex-Internacional, Milan e Chelsea.

O interesse da Sports Alpha Capital no futebol inglês já não é novidade — no início de 2026, o grupo chegou a propor-se comprar o Colchester United, recuando depois. Segundo os jornais britânicos, o negócio do Northampton envolve ainda outras figuras da Gemcorp, como Yuri Baidoukov (negócios internacionais) e Felipe Berliner (cofundador e gestor), além do português João Vítor Xavier Marques, radicado no Brasil.

Foi em 2015 que a Gemcorp formalizou a sua chegada a Angola, precisamente quando a queda do preço do petróleo empurrou o país para uma recessão que se prolongou entre 2016 e 2020. Nessa altura, a gestora emprestou 500 milhões de dólares ao Ministério das Finanças angolano, através do BNA então presidido por Valter Filipe — um episódio que gerou suspeitas sobre a sua legalidade. Desde 2017, porém, os laços entre Angola e a Gemcorp só têm vindo a reforçar-se. Expansão

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