Angola e Namíbia discutem arranque da construção da barragem conjunta de Baynes

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Os ministros da Energia dos dois países reuniram-se em Luanda para fixar prazos para o início das obras do aproveitamento hidroeléctrico no rio Cunene, um projecto estimado em cerca de 1,5 mil milhões de dólares e estudado há mais de três décadas.

Angola e Namíbia querem passar do papel à obra na barragem de Baynes. Os ministros da Energia dos dois países reuniram-se na sexta-feira, em Luanda, com o objectivo de definir a data de arranque da construção do aproveitamento hidroeléctricobinacional no rio Cunene, que marca a fronteira entre os dois países.

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“Queremos que este projecto ande o mais rapidamente possível”, afirmou o ministro angolano da Energia e Águas, João Baptista Borges, citado pelo JM, à margem do encontro, sublinhando tratar-se de um projectoimportante para ambos os países. O governante disse esperar que a reunião permitisse “definir prazos exactos” e identificar as tarefas que cada país tem ainda de cumprir antes do início das obras. Do lado angolano, falta assegurar o acesso ao local a partir do porto do Namibe, por onde terá de passar o equipamento importado.

O ministro namibiano das Indústrias, Minas e Energia, Modestus Amutse, foi mais directo. “Chegou a altura de concluir a fase de desenvolvimento”, afirmou, defendendo a passagem à construção. Para a Namíbia, que continua a depender da importação de electricidade, Baynes é uma peça central da segurança energética.

A barragem ficará no curso inferior do Cunene, cerca de 185 quilómetros a jusante de Ruacaná e a 48 quilómetros das quedas de Epupa. Os primeiros estudos, para o local de Epupa, remontam aos anos 90, e os estudos de viabilidade para Baynescomeçaram em 2008.

O acordo de implementação foi assinado em Novembro de 2024, em Windhoek. Prevê uma central de cerca de 600 megawatts, com a energia repartida em partes iguais entre os dois países, tal como os custos. Na altura, o arranque das obras estava previsto para o primeiro trimestre de 2027, depois do fecho do financiamento até ao final de 2026, com uma construção de cerca de seis anos. O custo é hoje estimado em cerca de 1,5 mil milhões de dólares.

Os dois governos optaram por um modelo de financiamento público. A estratégia de financiamento, preparada com o apoio do Southern African Power Pool e do Banco Africano de Desenvolvimento, entre outros parceiros, será agora submetida aos dois executivos. O objectivo é manter tarifas competitivas para os consumidores. A data de arranque das obras ainda não foi anunciada.

O projecto insere-se num reforço mais amplo da cooperação energética entre os dois países. Em Abril, a Rede Nacional de Transporte de Electricidade(RNT) e a namibiana NamPower assinaram o acordo de interligação eléctrica Angola-Namíbia (ANNA). A reunião antecede a visita de Estado a Angola da Presidente namibiana, Netumbo Nandi-Ndaitwah.

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