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O Banco BPI chegou a acordo para alienar a totalidade da participação que ainda detinha no Banco de Fomento Angola (BFA), numa operação que marca a saída definitiva do banco português do capital da instituição angolana.
O Banco BPI anunciou, ontem, quinta-feira, dia 3, um acordo para a venda da sua participação de 33,35% no capital do Banco de Fomento Angola (BFA) à Congolian Financial SA (CFSA), sociedade pertencente ao grupo empresarial angolano Grupo Carrinho.
A operação foi acordada por um valor fixo de 388,5 milhões de euros, representando uma das principais operações recentes de concentração accionista no sector bancário angolano.
Com a concretização da transacção, o BPI deixa definitivamente de ser accionista do BFA, encerrando uma presença construída ao longo de vários anos no mercado financeiro angolano.
A saída ocorre num contexto em que o banco português vinha reduzindo a sua exposição a Angola. Desde 2017, o BPI tinha uma recomendação do Banco Central Europeu (BCE) para diminuir a exposição ao mercado angolano, no âmbito da política de gestão de riscos e concentração geográfica das instituições financeiras sob a sua supervisão.
Grupo Carrinho reforça posição no BFA
Para o Grupo Carrinho, a aquisição representa um importante reforço da sua posição no sector financeiro angolano. Através da CFSA, o grupo passa a assumir uma participação significativamente maior no BFA, depois de já ter adquirido uma posição de referência na instituição na sequência da oferta pública de venda realizada em 2025, sendo actualmente o segundo maior accionista, depois da Unitel.
A operação altera assim a estrutura accionista do BFA e reforça a presença de capital angolano no controlo da instituição, uma das maiores do sistema bancário do país.
O negócio deverá ainda ficar sujeito às condições habituais para este tipo de operações, incluindo as autorizações regulamentares aplicáveis.
Fim de uma longa ligação
A venda da participação do BPI representa também o encerramento de uma longa ligação entre o banco português e o BFA. Durante anos, a instituição portuguesa manteve uma posição estratégica no banco angolano, numa relação que acompanhou diferentes fases da evolução económica e financeira de Angola.
A operação agora anunciada confirma a tendência de reconfiguração da estrutura accionista da banca angolana, com grupos empresariais nacionais a assumirem posições de maior relevo no sector.
Após esta operação, a estrutura accionista do BFA ficou representada da seguinte forma: Unitel 36,9%; Grupo Carrinho 33,35%; AXIOS 9,85%; ASSET 8,7%: outros accionistas 11,14%. JM
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