Estado arrecada mais de 300 mil milhões de kwanzas com a venda de 15% da UNITEL

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O Estado angolano arrecadou hoje, 27, um total de 300,3 mil milhões de kwanzas, o equivalente a 329,2 milhões de dólares, com a venda de 15% da sua participação na empresa de telecomunicações UNITEL. O montante ficou, contudo, mais de 50,3 mil milhões de kwanzas abaixo dos mais de 350 mil milhões de kwanzas que se pretendia captar, avnçou o Polígrafo África a partir do boletim informativo sobre a operação disponibilizado pela Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA).

No anexo do documento, assinado pela presidente da Comissão Executiva da instituição, Cristina Lourenço, refere-se que foram vendidas 7.500.000 acções ao preço final de 40.040 kwanzas por unidade.

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Ao todo, o Estado angolano pretendia captar 350,632 mil milhões de kwanzas, o equivalente a 384,4 milhões de dólares, mas acabou por arrecadar 300,300 mil milhões de kwanzas (329,2 milhões de dólares), o que representa menos 50,3 mil milhões de kwanzas face ao montante inicialmente previsto.

“A procura pelas 7.500.000 acções da UNITEL, com o código de negociação ‘UNTLAAAA’, ultrapassou a oferta, tendo correspondido a um rácio de cobertura de cerca de 120,72%. Assim, nos termos do prospecto, das 17.549 ordens de subscrição foram contempladas 16.571 subscrições, correspondentes a 11.264 investidores que se tornaram novos accionistas da UNITEL”, lê-se no boletim informativo emitido pela Comissão Executiva da BODIVA.

O documento informa ainda que a liquidação física e financeira da oferta realizar-se-á amanhã, 28 de Julho. O processo será seguido da sessão de admissão à negociação da totalidade das acções da UNITEL no Mercado de Bolsa de Acções, agendada para o próximo dia 29 do corrente mês.

O Estado angolano tornou-se o único accionista da UNITEL na sequência de um processo de recuperação de activos que levou à saída dos dois principais accionistas privados da operadora. Primeiro, a empresária Isabel dos Santos perdeu a participação detida através da Vidatel. Posteriormente, a Procuradoria-Geral da República (PGR) anunciou a apreensão dos 25% das participações sociais que a GENI, S.A., empresa do general Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino”, detinha na UNITEL, no âmbito de um processo de investigação patrimonial e financeira. Com esta medida, o Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE) foi designado fiel depositário dessas participações, passando o Estado a controlar a totalidade do capital da maior operadora de telefonia móvel do país.

A apreensão das participações do general Leopoldino Fragoso do Nascimento “Dino” resulta de um processo-crime e de investigação patrimonial iniciado em 2022. Antes da perda da posição accionista, o empresário já tinha renunciado aos cargos que exercia na assembleia-geral da GENI e, consequentemente, na UNITEL, alegadamente para proteger a actividade da empresa perante as sanções impostas pelos Estados Unidos. Após a decisão da PGR, o general contestou a medida, classificando-a como uma violação dos princípios do direito internacional, das garantias constitucionais angolanas e do direito a um julgamento justo, recusando, contudo, discutir o mérito das sanções por considerar que tal poderia afectar a reputação da operadora.

 

 

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