Higino Carneiro mantém candidatura ao MPLA e insiste na resolução interna do impasse

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Luanda — Higino Carneiro voltou hoje a público para reafirmar que não desiste da sua candidatura à presidência do MPLA, numa conferência de imprensa realizada em Luanda que reuniu poucas novidades, mas confirmou a determinação do general em resolver o impasse dentro das estruturas do partido.

Acompanhado pelo advogado Sérgio Raimundo, Higino Carneiro insistiu que espera “alguma coerência” entre os estatutos do MPLA e os documentos que regem o processo eleitoral, num momento em que se multiplicam as dúvidas sobre a possibilidade de o 9.º Congresso Ordinário do partido, marcado para os dias 9 e 10 de dezembro, vir a registar mais do que uma candidatura — algo inédito na história do MPLA.

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A principal novidade da conferência prendeu-se com o percurso judicial da candidatura. Depois de o Tribunal Constitucional ter considerado improcedente a providência cautelar interposta pela equipa de Higino Carneiro, o advogado Sérgio Raimundo revelou que deram entrada três novos requerimentos junto daquele órgão de soberania, na expectativa de que se pronuncie novamente sobre o processo. Segundo Carneiro e a sua equipa, a decisão anterior do tribunal “ainda não é definitiva”.

Numa das poucas informações até agora inéditas, Higino Carneiro confirmou publicamente o encontro que teve com o Presidente João Lourenço, no qual terá manifestado a intenção de se candidatar. De acordo com o próprio, o chefe de Estado não terá levantado qualquer oposição na altura. Questionado sobre se voltou a falar com João Lourenço desde então, Carneiro foi claro: não houve mais nenhum contacto.

O general disse ainda acreditar na “hombridade” de responsáveis do MPLA — nomeadamente do próprio João Lourenço, enquanto presidente do partido, da vice-presidente e do secretário-geral — para que cumpram os estatutos e o chamem a confrontar as acusações de irregularidades nas subscrições que sustentaram a anulação da sua candidatura, anunciada pelo coordenador da Subcomissão de Candidaturas, Job Capapinha. Sérgio Raimundo negou qualquer irregularidade e classificou a anulação como uma decisão tomada sem transparência.

Questionado sobre a hipótese de uma rutura com o partido caso o impasse se mantenha, Higino Carneiro voltou a afastar esse cenário, insistindo em resolver a questão internamente e evitar medidas mais drásticas que possam comprometer a imagem do MPLA. A conferência de imprensa foi, no entanto, marcada por um número limitado de perguntas aos jornalistas, o que alguns observadores interpretam como sinal de que a equipa do general prefere não expor, para já, todos os seus argumentos.

O impasse mantém-se, com múltiplas frentes em aberto: a resposta do Tribunal Constitucional aos três novos requerimentos, o posicionamento da direção do MPLA e da Subcomissão de Candidaturas liderada por Job Capapinha, e os processos-crime por peculato e branqueamento de capitais que a Procuradoria-Geral da República move contra Higino Carneiro. Resta ainda saber se, no regresso de João Lourenço a Angola, o litígio interno encontrará uma solução negociada ou se o braço de ferro se prolongará até às vésperas do Congresso de dezembro.

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