Seca severa: Camponeses e pastores reportam perdas de 14,5 milhões USD

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Há uma seca severa com maior incidência sobre o litoral do País. Ao contrário do quase silêncio sobre o fenómeno no espaço mediático, nos vastos campos agrícolas e pastoris o cenário dominante é o grito dos produtores. As áreas agrícola e pecuária, juntas, reportam perdas resultantes da falta de chuva de cerca de 14,5 milhões de dólares, apurou a E&M.

Os dados preliminares que conformam esta quantia expõem um quadro de seca de extrema gravidade, com registos desde Agosto do ano passado. No sector pecuário, a nível nacional, são cerca de 200 mil cabeças de gado em risco iminente, depois de 20 mil outras não terem resistido à falta de água e alimentos. É a seca a ameaçar o sustento de inúmeras famílias de camponeses e criadores de gado.

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Considerando um valor médio conservador de 300 mil Kwanzas por cabeça, estimam-se os prejuízos directos em 6 mil milhões Kz (6,5 milhões USD). Mas o valor do risco imediato de perdas de gado é, de longe, superior: 60 mil milhões Kz (65,5 milhões USD), alerta a FENACOPA (Federação Nacional das Cooperativas Pecuárias de Angola).

Nos campos agrícolas, a outra face das vítimas do fenómeno, os danos são, também, significativos. O cálculo dos prejuízos por conta de culturas que não conheceram desenvolvimento face à falta de água é de 7,3 mil milhões Kz (8 milhões USD), de acordo com a AAPA (Associação Agropecuária de Angola).

Os primeiros sinais de alarme da acentuada devastação de campos soaram de associações que integram o Grupo Técnico Empresarial (GTE), uma plataforma criada em 2017 para servir de diálogo entre o sector privado e o Governo. Daí, o assunto ‘subiu’ para o Ministério da Agricultura e Florestas (MINAGRIF). Deu-se, então, início a uma ampla acção de apoio emergencial.

Produtores, empresários, técnicos e cidadãos identificaram-se com a causa solidária. Em várias paragens do País, foram feitos levantamentos sobre o real quadro provocado pela seca, com enfoque nas províncias de Benguela, Icolo e Bengo, Cuanza-Sul, Namibe, Bengo e Luanda. Tudo em marcha – “conhecimento, logística, contactos ou recursos – para reduzir significativamente os efeitos desta crise”, assinala um documento a que a E&M teve acesso.

Foram apuradas perdas significativas nas colheitas agrícolas, sobretudo nas explorações familiares. O cenário alerta para possíveis dificuldades, nos próximos momentos, no acesso a alimentos nas comunidades rurais mais vulneráveis, caso não sejam adoptadas medidas preventivas e de mitigação com a necessária urgência.

Do cunho do GTE, o documento acrescenta, à guisa de aviso, que o quadro é susceptível de provocar conflitos entre comunidades pela disputa de recursos naturais escassos e de gerar ocorrências de roubos de gado e outros incidentes. Como ‘saída’, a missiva, endereçada à tutela do sector, sugere, entre outras medidas, a reabilitação e abertura de pontos de água, incluindo furos, reservatórios e sistemas simplificados de abastecimento para o gado.

A causa, à qual o MINAGRIF prontamente se associou, engaja empresas como Carrinho, Induve, Moagem do Kikolo, Grandes Moagens de Angola, Rose Yoniben, Grupo Castel, Fonseca & Filhos. Grande parte das quais mobilizadas para fornecer farelo e ração. Mas também ⁠medicamentos de uso veterinário: soros de rehidratação, vitaminas, minerais, antibióticos, desparasitantes.

Não obstante a onda de solidariedade que a iniciativa despertou, a ampla acção de apoio a agricultores e pastores afectados pela seca depara-se, ainda, com algumas dificuldades do foro logístico, particularmente a mobilização de transportes para o levantamento de produtos e posterior distribuição às vítimas da estiagem.

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