Investidores apontam restrições na rede eléctrica como principal obstáculo ao investimento em projectos de energia

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Financiadores e instituições regionais que participaram do Africa Energy Indaba, realizado recentemente na Cidade do Cabo, África do Sul, asseguraram que não há escassez de capital, afirmando que as restrições de transmissão estão se tornando o principal obstáculo ao investimento em infraestrutura de energia no sul da África.

Em declarações, especialistas, representantes de governos, órgãos regionais e o sector privado concordaram que há capital substancial disponível para projectos de energia, mas que os gasodutos de transmissão financeiramente viáveis ainda são limitados.

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A discussão girou em torno do tema “Do planejamento à viabilidade financeira: o que finalmente desbloqueará o investimento e o envolvimento do sector privado na infraestrutura de energia da África?”. O painel esclareceu que o sector eléctrico africano não enfrenta uma escassez estrutural de capital e apontou gargalos na transmissão, incertezas regulatórias e projectos mal planejados como razões que atrasam a criação de infraestrutura financiável.

Durante a discussão, o investidor João Álvares, da Averi Finance, rejeitou a noção de que a escassez de capital para projectos seja o principal problema, adiantando que o verdadeiro desafio reside em estruturar os projectos correctamente e garantir a estabilidade regulatória.

João Álvares acrescentou que os investidores privados exigem estruturas aplicáveis, contratos de fornecimento confiáveis e protecção contra mudanças regulatórias, defendendo que os governos devem se concentrar em criar estruturas facilitadoras, em vez de tentar desenvolver projectos directamente.

Ao discursar na Africa Energy Indaba, João Álvares destacou um facto que no seu ponto de vista, muitas vezes é ignorado: Há milhares de milhões de dólares prontos para investir no sector energético africano, mas os projectos estão a ser atrasados por restrições na rede e pela falta de preparação de projectos financiáveis.

O investidor garantiu que África não tem um problema de capital e acrescentou que muitos projectos não são considerados “financiáveis” pelos bancos e fundos de investimento porque os investidores precisam é de quadros regulamentares claros, estudos técnicos sólidos, contratos financiáveis e arbitragem credível, bem como infraestrutura de transmissão capaz de escoar a energia.

Para que o capital privado se possa movimentar rapidamente, defendeu desbloqueio da rede, visto que sem a rede, gigawatts de energia renovável permanecem parados.

A empresa Averi Finance está focada exactamente em transformar ideias de projectos em projectos financiáveis, ou seja, com estrutura suficiente para atrair investimento e capital para execução de projectos. “Na Averi Finance, é exactamente nisso que estamos a concentrar os nossos esforços, dando vida a projectos financiáveis”, sustentou Álvares.

“Não falta dinheiro para projectos. O capital existe. O que é necessário é rapidez na execução. Os governos precisam viabilizar, não desenvolver”, disse Álvares, apelando para a importância do acesso à terra, das aprovações de direito de passagem e de mecanismos claros de arbitragem.

Por sua vez, Jean Madzongwe, da Southern African Power Pool, afirmou que a região possui um portfólio considerável de projectos de geração e transmissão identificados por meio de seus processos de planejamento regional, mas que a implementação continua desigual.

Na sua opinião, o desafio persistente é “a quantidade limitada de verbas disponíveis para levar os projectos de uma etapa para outra”.

Para a especialista, os estudos de viabilidade muitas vezes expiram antes do avanço dos projectos, criando um ciclo de interrupções que mina a confiança dos investidores. “Quando os projectos são finalmente retomados após alguns anos, muitos desses estudos já expiraram”, afirmou.

Para a representante do Standard Bank, Rentia van Tonder, os bancos comerciais estão cada vez mais focados na transmissão de energia como a próxima fase do desenvolvimento da infraestrutura regional.

Por outro lado, apontou a crescente demanda em corredores com forte actividade de mineração, com destaque para a Zâmbia e a República Democrática do Congo, onde as restrições de oferta e a capacidade limitada da rede eléctrica estão se tornando riscos económicos significativos. “Não se trata apenas de esperar que o financiamento chegue. Precisamos encontrar os parceiros certos e ser criativos na forma como abordamos essa lacuna”, sublinhou.

O painel observou, finalmente, que, enquanto essas restrições estruturais não forem resolvidas, é provável que volumes significativos de capital privado disponível permaneçam inativos. Instalações de preparação fragmentadas, processos ambientais inconsistentes e atrasos nas aprovações regulatórias foram citados como factores que minam a confiança dos investidores e atrasam o fechamento financeiro.

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