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A Zâmbia suspendeu a assinatura de um acordo de financiamento para a saúde proposto pelos Estados Unidos, no valor de cerca de mil milhões de dólares, invocando preocupações de que certas cláusulas do documento não estejam alinhadas com os interesses nacionais do país.
O acordo, que enquadraria mais de mil milhões de dólares em financiamento norte-americano para os próximos cinco anos, tem como objectivo combater o VIH/SIDA e a malária, reforçar os serviços de saúde materno-infantil e melhorar a preparação para epidemias.
No entanto, de acordo com um documento preliminar consultado pela Reuters, a Zâmbia teria de comprometer cerca de 340 milhões de dólares em co-financiamento no mesmo período, representando um investimento interno significativo numa altura de fortes restrições orçamentais.
O acordo, cuja conclusão estava prevista para Novembro de 2025, foi suspenso depois de versões alteradas do documento terem incluído uma disposição controversa. Esta cláusula, potencialmente ligada a uma parceria no sector mineiro, colocou em questão se o financiamento vital para a saúde não estaria a ser usado como moeda de troca por acesso estratégico aos recursos naturais do país.
Esta percepção é partilhada por alguns analistas, que interpretam a decisão como um sinal de que o apoio dos EUA ao sector da saúde poderá estar a tornar-se indissociável dos interesses sobre os recursos zambianos.
“Precisamos do apoio dos EUA, mas tem de haver transparência”, afirmou à Reuters Owen Mulenga, responsável da Treatment, Advocacy and Literacy Campaign, uma organização não governamental local que defende o acesso equitativo a tratamento para o VIH na Zâmbia.
Em Outubro de 2025, esta decisão de suspender o acordo foi entendida por alguns observadores como “muito aguardada”, considerando que o encerramento de certos canais de ajuda externa poderia representar uma oportunidade para a Zâmbia “gerir os seus próprios assuntos”, ainda que os riscos inerentes a essa ruptura fossem significativos.
Os Estados Unidos desembolsaram cerca de 598 milhões de dólares no ano anterior para o sector da saúde zambiano, montante que representa aproximadamente um terço do orçamento nacional para a saúde. Grande parte destes fundos destina-se a programas de tratamento do VIH/SIDA e a serviços essenciais de saúde materna.
No início de 2025, Washington já havia reduzido a ajuda médica em 50 milhões de dólares, na sequência da descoberta de medicamentos doados que foram roubados e revendidos, o que agravou o cenário financeiro do sector.
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