Empresária Isabel dos Santos diz que Estado angolano pediu retirada da guarda dos filhos

This post has already been read 18 times!

“O Estado angolano entrou, há alguns anos, com um pedido para que me seja retirada a guarda dos meus próprios filhos”, disse, numa entrevista à Rádio Essencial, afirmando que Angola hoje não é um lugar seguro para si.

“O Estado angolano entrou, há alguns anos, com um pedido para que me seja retirada a guarda dos meus próprios filhos”, disse Isabel dos Santos, numa entrevista hoje à Rádio Essencial, afirmando que Angola hoje não é um lugar seguro para si.

Advertisement

A filha do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos (já falecido) sonha, no entanto, voltar a Angola para fazer parte do crescimento económico do país, para continuar a construir as suas empresas, a gerar postos de trabalho e fazer parte do planeamento e de uma visão “de um país que dá certo”.

“Mas hoje Angola, para mim, não é um país seguro, porque quando eu tenho um Estado que inclusive ataca os meus filhos, que me quer tirar a guarda das minhas próprias crianças, acho que tenho que esperar e continuar a lutar, a demonstrar essas injustiças”, referiu.

Isabel dos Santos tem quatro filhos, nascidos do seu casamento com o colecionador de arte Sindika Dokolo, que morreu em outubro de 2020 num acidente de mergulho.

A empresária, que responde a vários processos judiciais em Angola, disse ainda que “a perseguição política” contra si “é forte”, salientando que tem todas as suas contas bancárias bloqueadas e está sem documentos válidos, além de impedida judicialmente de viajar.

Para Isabel dos Santos, o julgamento do processo que corre em Angola “seria inútil” e pode vir “a descredibilizar muito o poder executivo”.

A empresária angolana não descarta a hipótese de este julgamento ser “uma distração, uma manobra política”, olhando para a proximidade do Congresso no MPLA (no poder), em 2026, e as eleições gerais, em 2027.

“Acho que seria um descrédito muito grande se os nossos juízes e o nosso sistema de justiça se deixassem embarcar por uma agenda política ao invés de servir uma nação e um povo”, frisou.

A entrevista de Isabel dos Santos à Rádio Essencial acontece poucos dias depois de ter sido divulgado que o Tribunal Supremo deixou cair quatro dos crimes de que a empresária era acusada no processo relacionado com a gestão da Sonangol entre 2016 e 2017, período em que presidiu ao conselho de administração da petrolífera estatal.

O despacho de pronúncia excluiu o crime de associação criminosa, por entender que não existiam “factos concretos ou inequívocos” que demonstrassem uma atuação concertada entre Isabel dos Santos e os restantes arguidos (Sarju Raikundalia, ex-administrador financeiro da Sonangol; Paula Oliveira, sócia e amiga; e Mário Leite da Silva, principal gestor de negócios da empresária).

O tribunal retirou igualmente o crime de abuso de poder, além de declarar prescritos os crimes de falsificação de documentos e fraude fiscal simples.

Apesar dessas exclusões, Isabel dos Santos continua pronunciada por sete crimes: peculato, burla qualificada, participação económica em negócio, tráfico de influência, fraude fiscal qualificada e dois crimes de branqueamento de capitais.

O processo segue para julgamento, existindo ainda um recurso pendente.

Na semana passada, Isabel dos Santos acusou a justiça angolana de recusar ouvir as suas declarações e de ignorar provas e testemunhas apresentadas na instrução contraditória, alegando que o Tribunal Supremo tem “uma sentença pré-determinada”.

This post has already been read 18 times!

Add a comment

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Advertisement